
CURADORIA: Cynthia Araújo
O Eu Eterno
Ao assistir a este documentário, esperava concluir que tecnologias que simulam conversas com pessoas mortas precisam de limites éticos. Mas, numa edição primorosa, o filme vai além do perturbador e me fez pensar, após anos pesquisando a morte, no que ainda nos faz humanos.
Filmes indicados pela Cynthia Araújo Advogada da União e autora, escreve sobre o que a gente evita: o cuidado no fim da vida e a esperança diante do câncer. Colunista da Folha em Morte sem Tabu.

Mesmo após entrevistar dezenas de pessoas com cânceres incuráveis, não me acostumei a ouvir aquelas poucas que entenderam a proximidade do fim da vida. Este documentário nos faz questionar se estamos vivendo de forma autêntica, e se isso é possível sem a sombra de uma doença grave que anuncia a morte. O direito de escolher como viver o fim precisa ser discutido com seriedade.

Compartilho o medo de perder a memória por doença ou envelhecimento com muita gente. Tenho medo de perder a linguagem e as relações que ela torna possíveis. Acompanhar a trajetória do jovem Teun nesse filme deixou menores os meus receios: mesmo que se torne perpétuo o presente, afeto e emoção podem manter a vida grande até o fim.
Seleção Aquarius para a Edição

Aos 91, Irvin Yalom fala de morte, amor e sentido com uma serenidade que acolhe. Para quem ficou com a finitude ecoando: um filme para ver bem devagar, com tempo para sentir e se escutar.

O que fazemos com quem partiu? Freud passou a vida estudando o que permanece em nós: sonhos, desejos, amor e a morte lado a lado. Uma volta às origens da escuta, narrada pela bisneta dele.

A promessa de driblar o tempo encontra a vida real. Aos 55, Deedee mergulha no biohacking enquanto sua mãe enfrenta a demência. Um filme que pergunta até onde vale ir para não envelhecer?

Médiuns de Nova York consolam desconhecidos e revelam o desejo humano de ser ouvido, nesta vida ou em outra. É a saudade de quem já se foi, por um caminho bem mais antigo que a tecnologia.
Práticas desta edição

Que tal fazer uma pausa e perceber o corpo por inteiro? Nesta meditação, o convite é percorrer cada parte de si com atenção, acolher as sensações e abrir espaço para um instante de presença, sem pressa ou cobranças.

Uma prática para despertar o corpo, experimentar novos movimentos e perceber como cada gesto pode trazer mais disposição para o dia. Às vezes, tudo o que precisamos é de uma pausa para nos movimentar de outro jeito.
Para começar

Gabor Maté diz uma coisa que dói: talvez o problema nunca tenha sido você, e sim o que te ensinaram a esconder cedo demais. Documentário pra entender a dor em vez de só calar ela como sempre fez.

E se a cura começar na cabeça antes de chegar no corpo? Esse documentário mostra histórias reais de gente que descobriu quanto pensamento, emoção e crença pesam na saúde de verdade, no dia a dia!

Felicidade sem motivo existe, e a ciência já provou isso faz tempo. Esse documentário passeia pela história da meditação no Brasil e mostra por que sentar e respirar muda tanto assim toda a vida.

Satish Kumar caminhou treze mil km só de fé no ser humano. Esse documentário mostra o que acontece quando alguém decide viver de simplicidade, colaboração e amor, sem meio termo, há quase 70 anos







































































































